24 de julho de 2026

Porque é tão difícil mudar hábitos? O papel da psicologia na diabetes

Partilhe

Se mudar hábitos dependesse apenas de saber o que fazer...

Quem vive com diabetes sabe perfeitamente que deve cuidar da alimentação, praticar atividade física e cumprir a medicação. A adesão ao tratamento da diabetes depende destes comportamentos diários, o problema é que conhecer a teoria não significa que seja fácil pô-la em prática!

E não, não é uma questão de falta de força de vontade.

Nós, psicólogos, sabemos que os comportamentos e os hábitos são influenciados por muito mais do que a motivação. São moldados pelas rotinas, pelo ambiente, pelo cansaço, pelo stress e, claro, pelas emoções. É por isso que um dia tudo parece correr bem e, no seguinte, voltamos aos velhos comportamentos.

Quando as emoções e a glicemia "conversam"

Na diabetes existe ainda outro desafio: o controlo da glicemia. As emoções e a glicemia “conversam” entre si. Quando estamos ansiosos, stressados ou emocionalmente mais instáveis, é mais difícil fazer boas escolhas e, em muitas pessoas, esses estados podem também contribuir para alterações da glicemia. Depois, uma glicemia descompensada pode aumentar a irritabilidade, a fadiga ou a sensação de mal-estar. E, sem dar por isso, entramos num ciclo que parece não ter fim.

Porque é tão difícil mudar comportamentos na diabetes

É precisamente aqui que a psicologia faz a diferença.

Não serve para dizer ao doente aquilo que ele já sabe. Serve para perceber porque é que é tão difícil fazer aquilo que sabe que lhe faz bem.

Nas consultas de psicologia trabalha-se a ansiedade, a gestão do stress, a relação com a comida, as crenças sobre a doença e estratégias para criar mudança de hábitos que façam sentido na vida real, não numa vida perfeita que existe apenas nos livros.

Porque mudar hábitos não é um teste à força de vontade. É um processo! E quando cuidamos da saúde mental, estamos também a criar melhores condições para cuidar da diabetes.

Mais do que números estáveis

No fundo, a diabetes não precisa apenas de números mais estáveis. Precisa de atenção à saúde mental para pessoas mais tranquilas, mais confiantes e com ferramentas para lidar com os desafios de todos os dias. E esse também é um tratamento.

Psicóloga